Exegese verso a verso

Juízes 16:5

Juízes 16:5 — Estudo Exegético

1. Texto hebraico (BHS)

וַיַּעֲל֨וּ אֵלֶ֜יהָ סַרְנֵ֣י פְלִשְׁתִּ֗ים וַיֹּ֨אמְרוּ לָ֜הּ פַּתִּ֣י אוֹת֗וֹ וּרְאִי֙ בַּמֶּה֙ כֹּח֣וֹ גָד֔וֹל וּבַמֶּה֙ נ֣וּכַל ל֔וֹ וַאֲסַרְנֻ֖הוּ לְעַנֹּת֑וֹ וַאֲנַ֨חְנוּ֙ נִתַּן־ לָ֔ךְ אִ֕ישׁ אֶ֥לֶף וּמֵאָ֖ה כָּֽסֶף׃

Texto de trabalho conforme OSHB/WLC, tradição massorética próxima à base usada em edições críticas da Bíblia Hebraica. A referência a BHS identifica o campo textual hebraico massorético; a transcrição preserva vocalização e acentuação disponíveis na fonte digital usada nesta produção.

2. Tradução de trabalho própria

Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram: Persuade-o, e vê em que consiste a sua grande força, e como poderíamos assenhorear-nos dele e amarrá-lo, para assim o afligirmos; e te daremos, cada um de nós, mil e cem moedas de prata.

A tradução foi calibrada pelo hebraico do versículo e por uma testemunha portuguesa antiga de domínio público. O objetivo não é reproduzir uma versão bíblica, mas oferecer uma linha de trabalho suficientemente literal para sustentar análise morfológica, sintática e teológica.

3. Crítica textual

Sem variante significativa controlada para esta produção. O texto hebraico usado abaixo vem do OSHB/WLC; não foi consultado aparato crítico impresso da BHS/BHQ nesta etapa, por isso não se inventa leitura de LXX, Vulgata, Siríaca ou Targum onde ela não foi verificada diretamente.

Essa limitação é parte do rigor editorial. Quando o aparato comparativo não está diretamente controlado, o estudo não deve fabricar variantes nem atribuir leituras a tradições antigas apenas para parecer completo.

4. Análise morfológica e sintática

  • וַיַּעֲל֨וּ (וַ / יַּעֲל֨וּ; lema 5927): verbo qal, wayyiqtol, traços 3mp.
  • אֵלֶ֜יהָ (אֵלֶ֜י / הָ; lema 413): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • סַרְנֵ֣י (סַרְנֵ֣י; lema 5633): nome/substantivo hebraico com gênero, número e estado indicados pelo código OSHB.
  • פְלִשְׁתִּ֗ים (פְלִשְׁתִּ֗ים; lema 6430): nome/substantivo hebraico com gênero, número e estado indicados pelo código OSHB.
  • וַיֹּ֨אמְרוּ (וַ / יֹּ֨אמְרוּ; lema 559): verbo qal, wayyiqtol, traços 3mp.
  • לָ֜הּ (לָ֜ / הּ; lema l): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • פַּתִּ֣י (פַּתִּ֣י; lema 6601): verbo piel, imperativo, traços 2fs.
  • אוֹת֗וֹ (אוֹת֗ / וֹ; lema 853): marcador gramatical, artigo ou partícula.
  • וּרְאִי֙ (וּ / רְאִי֙; lema 7200): verbo qal, imperativo, traços 2fs.
  • בַּמֶּה֙ (בַּ / מֶּה֙; lema 4100): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • כֹּח֣וֹ (כֹּח֣ / וֹ; lema 3581): nome/substantivo hebraico com gênero, número e estado indicados pelo código OSHB.
  • גָד֔וֹל (גָד֔וֹל; lema 1419): adjetivo ou qualificativo hebraico conforme código OSHB.
  • וּבַמֶּה֙ (וּ / בַ / מֶּה֙; lema 4100): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • נ֣וּכַל (נ֣וּכַל; lema 3201): verbo qal, imperfeito, traços 1cp.
  • ל֔וֹ (ל֔ / וֹ; lema l): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • וַאֲסַרְנֻ֖הוּ (וַ / אֲסַרְנֻ֖ / הוּ; lema 631): verbo qal, perfeito, traços 1cp.
  • לְעַנֹּת֑וֹ (לְ / עַנֹּת֑ / וֹ; lema 6031): verbo piel, infinitivo construto, traços não detalhados.
  • וַאֲנַ֨חְנוּ֙ (וַ / אֲנַ֨חְנוּ֙; lema 587): pronome ou sufixo pronominal.
  • נִתַּן (נִתַּן; lema 5414): verbo qal, imperfeito, traços 1cp.
  • לָ֔ךְ (לָ֔ / ךְ; lema l): preposição, advérbio ou partícula relacional.
  • אִ֕ישׁ (אִ֕ישׁ; lema 376): nome/substantivo hebraico com gênero, número e estado indicados pelo código OSHB.
  • אֶ֥לֶף (אֶ֥לֶף; lema 505): adjetivo ou qualificativo hebraico conforme código OSHB.
  • וּמֵאָ֖ה (וּ / מֵאָ֖ה; lema 3967): adjetivo ou qualificativo hebraico conforme código OSHB.
  • כָּֽסֶף (כָּֽסֶף; lema 3701): nome/substantivo hebraico com gênero, número e estado indicados pelo código OSHB.

Em Juízes 16:5, os verbos que estruturam a ação são וַיַּעֲל֨וּ, וַיֹּ֨אמְרוּ, פַּתִּ֣י, וּרְאִי֙, נ֣וּכַל, וַאֲסַרְנֻ֖הוּ, לְעַנֹּת֑וֹ, נִתַּן; sua ordem ajuda a distinguir comando, resposta, denúncia, voto, execução ou consequência.

As partículas mais visíveis são וַיַּעֲל֨וּ, אֵלֶ֜יהָ, וַיֹּ֨אמְרוּ, לָ֜הּ, אוֹת֗וֹ, וּרְאִי֙, בַּמֶּה֙, וּבַמֶּה֙, ל֔וֹ, וַאֲסַרְנֻ֖הוּ; elas organizam coordenação, finalidade, negação, posse ou direção dentro da cláusula.

A análise sintática precisa observar sujeito, objeto e alcance das falas diretas, pois Josué e Juízes alternam narração compacta, discurso público, ordem militar e diálogo pessoal.

Em termos sintáticos, Juízes 16:5 situa-se neste horizonte: Juízes 16 narra o declínio de Sansão em Gaza e no vale de Soreque, expondo desejo, manipulação, perda de consagração e juízo. O comentário deve permanecer preso ao versículo, observando primeiro formas e relações internas, para só depois formular teologia e aplicação.

5. Análise lexical dos termos-chave

וַיֹּ֨אמְרוּ / ʾāmar. dizer; verbo que introduz ordem, juramento, denúncia profética ou diálogo decisivo. Como item 1 desta seleção, sua contribuição deve ser avaliada na cena de crise tribal, opressão, libertação parcial, idolatria e decadência moral no período pré-monárquico, observando a função que exerce nesta cláusula específica.

נִתַּן / nātan. dar; verbo da dádiva divina, especialmente terra, vitória ou entrega de inimigos. Como item 2 desta seleção, sua contribuição deve ser avaliada na cena de crise tribal, opressão, libertação parcial, idolatria e decadência moral no período pré-monárquico, observando a função que exerce nesta cláusula específica.

וַיַּעֲל֨וּ / lema 5927. termo relevante no fluxo imediato do versículo; a análise deve partir de seu uso contextual, não de uma raiz isolada. Como item 3 desta seleção, sua contribuição deve ser avaliada na cena de crise tribal, opressão, libertação parcial, idolatria e decadência moral no período pré-monárquico, observando a função que exerce nesta cláusula específica.

אֵלֶ֜יהָ / lema 413. termo relevante no fluxo imediato do versículo; a análise deve partir de seu uso contextual, não de uma raiz isolada. Como item 4 desta seleção, sua contribuição deve ser avaliada na cena de crise tribal, opressão, libertação parcial, idolatria e decadência moral no período pré-monárquico, observando a função que exerce nesta cláusula específica.

O cuidado lexical evita transformar raiz em sermão. O sentido é decidido por uso, colocação, regência, gênero literário e progressão do argumento ou da narrativa.

6. Comentário exegético do versículo

Juízes 16 narra o declínio de Sansão em Gaza e no vale de Soreque, expondo desejo, manipulação, perda de consagração e juízo. Em Juízes 16:5, a contribuição específica do versículo está no modo como uma ação, fala, ordem ou avaliação participa da unidade maior sem perder sua função própria.

A tradução de trabalho pode ser observada em unidades menores:

  • Então os príncipes dos filisteus subiram a ela, e lhe disseram.
  • Persuade-o, e vê em que consiste a sua grande força, e como poderíamos assenhorear-nos dele e amarrá-lo, para assim o afligirmos.
  • e te daremos, cada um de nós, mil e cem moedas de prata.

Essa decomposição ajuda a localizar o avanço do texto. O intérprete deve perguntar quem age, quem recebe a ação, que objeto é destacado e que consequência é introduzida. Quando Deus fala, a palavra estabelece realidade, promessa, denúncia ou ordem; quando seres humanos respondem, a narrativa expõe fé, medo, obediência, culpa, coragem ou infidelidade.

No plano literário, o versículo não existe para oferecer uma frase isolada de efeito. Ele serve a uma progressão canônica: posse e memória pactual em Josué; crise, opressão, libertação parcial e decadência em Juízes.

Observação específica para Juízes 16:5: a brevidade ou extensão do versículo deve ser tratada como dado literário. Quando há ordem, discurso, lista, deslocamento ou nota de morte e sepultamento, o comentário pergunta por que esse detalhe foi preservado neste ponto da narrativa. Assim se evita tanto inflar o texto com generalidades quanto desprezar peças pequenas que sustentam memória, juízo, promessa ou transição.

7. Conexões bíblicas controladas

Hebreus 11:32 também menciona Sansão, exigindo leitura canônica que reconheça graça e fé sem negar sua decadência moral narrada em Juízes.

Essa conexão deve ser usada com disciplina. Ela ilumina o versículo sem apagar seu sentido imediato. Leituras cristológicas são apropriadas quando seguem o caminho que a própria Escritura abre, especialmente por citações, tipologias explicitadas ou desenvolvimento pactual reconhecível.

8. Teologia da passagem

O eixo teológico deste versículo deve ser derivado da exegese. Neste ponto do livro, a ação de Deus aparece relacionada a crise tribal, opressão, libertação parcial, idolatria e decadência moral no período pré-monárquico. A teologia bíblica deve respeitar o lugar do texto na história da redenção, sem importar conclusões sistemáticas antes de ouvir a gramática e o enredo.

Em perspectiva reformada e evangélica, a soberania divina não elimina meios, ordens, mediações e respostas humanas. Deus promete, convoca, julga, livra, disciplina e preserva memória; seres humanos obedecem, resistem, temem, servem, traem, lembram ou esquecem. A doutrina deve preservar essa dupla atenção.

9. Questões interpretativas honestas

  1. Sansão deve ser lido como herói puro ou advertência trágica? O capítulo exige reconhecer sua função como juiz sem desculpar desejo desordenado e imprudência moral.
  2. A queda de Sansão é causada por Dalila ou por sua própria infidelidade progressiva? A narrativa responsabiliza manipulação externa, mas concentra a erosão na conduta dele.
  3. Como Hebreus 11 pode mencionar Sansão sem negar Juízes 16? A leitura canônica permite falar de graça e fé sem apagar o juízo narrativo sobre sua decadência.

10. Aplicação pastoral sóbria

Este versículo deve ser aplicado sem atalhos moralistas. A igreja brasileira precisa ouvir o texto antes de transformá-lo em slogan: coragem não é arrogância, memória pactual não é nostalgia religiosa, libertação não é licença para imprudência e queda moral não deve ser romantizada.

Pastoralmente, a passagem chama líderes e comunidades a praticar obediência concreta, arrependimento real e discernimento diante de ídolos visíveis e invisíveis. O cuidado com pessoas feridas por medo, opressão, manipulação ou fracasso precisa evitar tanto condenação apressada quanto desculpa barata para pecado.

Missionariamente, o texto recorda que o Deus bíblico age na história e convoca testemunhas responsáveis. A aplicação pública deve produzir fidelidade, justiça, memória, proteção dos vulneráveis e submissão da comunidade à Palavra, não às ansiedades religiosas do momento.

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