Exegese verso a verso

Cânticos 4:1-16

Cânticos 4:1-16 — Beleza, jardim e convite amoroso

1. Contexto histórico

Cânticos 4:1-16 ocupa uma unidade delimitada para produção editorial como Beleza, jardim e convite amoroso. O recorte deve ser lido dentro do livro canônico, observando gênero, participantes, progressão e função da cena. A perícope não é tratada como coleção de versículos soltos: cada detalhe é avaliado pelo movimento do bloco.

O horizonte histórico e literário precisa permanecer proporcional ao texto. Quando o livro trabalha narrativa, a análise acompanha espaço, personagens, fala e consequência. Quando o livro trabalha lei, sabedoria, profecia, evangelho ou apocalipse, a leitura respeita suas convenções próprias. Essa regra evita preencher lacunas com reconstrução imaginária.

2. Crítica textual

Texto-base local: OSHB/WLC. Não há aparato completo TM/LXX/Vulgata/Siríaca/Targum disponível localmente para colação integral; por isso, variantes não são inventadas. Onde a fonte base não indica problema, registra-se sem variante significativa verificada nesta produção.

Texto hebraico dos versículos do range:

  • Cânticos 4:1: הִנָּ֨ךְ יָפָ֤ה רַעְיָתִי֙ הִנָּ֣ךְ יָפָ֔ה עֵינַ֣יִךְ יוֹנִ֔ים מִבַּ֖עַד לְצַמָּתֵ֑ךְ שַׂעְרֵךְ֙ כְּעֵ֣דֶר הָֽעִזִּ֔ים שֶׁגָּלְשׁ֖וּ מֵהַ֥ר גִּלְעָֽד׃
  • Cânticos 4:2: שִׁנַּ֨יִךְ֙ כְּעֵ֣דֶר הַקְּצוּב֔וֹת שֶׁעָל֖וּ מִן־ הָרַחְצָ֑ה שֶׁכֻּלָּם֙ מַתְאִימ֔וֹת וְשַׁכֻּלָ֖ה אֵ֥ין בָּהֶֽם׃
  • Cânticos 4:3: כְּח֤וּט הַשָּׁנִי֙ שִׂפְתֹתַ֔יִךְ וּמִדְבָּרֵ֖יךְ נָאוֶ֑ה כְּפֶ֤לַח הָֽרִמּוֹן֙ רַקָּתֵ֔ךְ מִבַּ֖עַד לְצַמָּתֵֽךְ׃
  • Cânticos 4:4: כְּמִגְדַּ֤ל דָּוִיד֙ צַוָּארֵ֔ךְ בָּנ֖וּי לְתַלְפִּיּ֑וֹת אֶ֤לֶף הַמָּגֵן֙ תָּל֣וּי עָלָ֔יו כֹּ֖ל שִׁלְטֵ֥י הַגִּבּוֹרִֽים׃
  • Cânticos 4:5: שְׁנֵ֥י שָׁדַ֛יִךְ כִּשְׁנֵ֥י עֳפָרִ֖ים תְּאוֹמֵ֣י צְבִיָּ֑ה הָרוֹעִ֖ים בַּשּׁוֹשַׁנִּֽים׃
  • Cânticos 4:6: עַ֤ד שֶׁיָּפ֨וּחַ֙ הַיּ֔וֹם וְנָ֖סוּ הַצְּלָלִ֑ים אֵ֤לֶךְ לִי֙ אֶל־ הַ֣ר הַמּ֔וֹר וְאֶל־ גִּבְעַ֖ת הַלְּבוֹנָֽה׃
  • Cânticos 4:7: כֻּלָּ֤ךְ יָפָה֙ רַעְיָתִ֔י וּמ֖וּם אֵ֥ין בָּֽךְ׃ס
  • Cânticos 4:8: אִתִּ֤י מִלְּבָנוֹן֙ כַּלָּ֔ה אִתִּ֖י מִלְּבָנ֣וֹן תָּב֑וֹאִי תָּשׁ֣וּרִי׀ מֵרֹ֣אשׁ אֲמָנָ֗ה מֵרֹ֤אשׁ שְׂנִיר֙ וְחֶרְמ֔וֹן מִמְּעֹנ֣וֹת אֲרָי֔וֹת מֵֽהַרְרֵ֖י נְמֵרִֽים׃
  • Cânticos 4:9: לִבַּבְתִּ֖נִי אֲחֹתִ֣י כַלָּ֑ה לִבַּבְתִּ֨ינִי֙ באחד מֵעֵינַ֔יִךְ בְּאַחַ֥ד עֲנָ֖ק מִצַּוְּרֹנָֽיִךְ׃
  • Cânticos 4:10: מַה־ יָּפ֥וּ דֹדַ֖יִךְ אֲחֹתִ֣י כַלָּ֑ה מַה־ טֹּ֤בוּ דֹדַ֨יִךְ֙ מִיַּ֔יִן וְרֵ֥יחַ שְׁמָנַ֖יִךְ מִכָּל־ בְּשָׂמִֽים׃
  • Cânticos 4:11: נֹ֛פֶת תִּטֹּ֥פְנָה שִׂפְתוֹתַ֖יִךְ כַּלָּ֑ה דְּבַ֤שׁ וְחָלָב֙ תַּ֣חַת לְשׁוֹנֵ֔ךְ וְרֵ֥יחַ שַׂלְמֹתַ֖יִךְ כְּרֵ֥יחַ לְבָנֽוֹן׃ס
  • Cânticos 4:12: גַּ֥ן׀ נָע֖וּל אֲחֹתִ֣י כַלָּ֑ה גַּ֥ל נָע֖וּל מַעְיָ֥ן חָתֽוּם׃
  • Cânticos 4:13: שְׁלָחַ֨יִךְ֙ פַּרְדֵּ֣ס רִמּוֹנִ֔ים עִ֖ם פְּרִ֣י מְגָדִ֑ים כְּפָרִ֖ים עִם־ נְרָדִֽים׃
  • Cânticos 4:14: נֵ֣רְדְּ׀ וְכַרְכֹּ֗ם קָנֶה֙ וְקִנָּמ֔וֹן עִ֖ם כָּל־ עֲצֵ֣י לְבוֹנָ֑ה מֹ֚ר וַאֲהָל֔וֹת עִ֖ם כָּל־ רָאשֵׁ֥י בְשָׂמִֽים׃
  • Cânticos 4:15: מַעְיַ֣ן גַּנִּ֔ים בְּאֵ֖ר מַ֣יִם חַיִּ֑ים וְנֹזְלִ֖ים מִן־ לְבָנֽוֹן׃
  • Cânticos 4:16: ע֤וּרִי צָפוֹן֙ וּב֣וֹאִי תֵימָ֔ן הָפִ֥יחִי גַנִּ֖י יִזְּל֣וּ בְשָׂמָ֑יו יָבֹ֤א דוֹדִי֙ לְגַנּ֔וֹ וְיֹאכַ֖ל פְּרִ֥י מְגָדָֽיו׃

3. Estrutura textual do bloco

A perícope Beleza, jardim e convite amoroso pode ser lida em três movimentos operacionais: 4:1-5, abertura e situação do bloco; 4:6-10, desenvolvimento da fala, ação ou tensão principal; 4:11-16, resposta, consequência, promessa ou fechamento. Essa divisão é auxiliar e deve ceder caso a sintaxe do texto mostre fronteiras internas mais fortes.

Além dessa divisão funcional, a estrutura deve observar mudança de locutor, repetições, imperativos, marcadores temporais, deslocamentos geográficos, fórmulas proféticas ou viradas narrativas. A unidade só deve ser subdividida quando o próprio texto oferece sinais suficientes.

4. Quadro lexical

  1. Em 4:1, 4:9, עֵינַ֣יִךְ / ʿayin participa de na poesia amorosa, com imagens de desejo, presença e ausência; seu campo de sentido aqui é olho; envolve visão, aparência, juízo ou desejo. A ocorrência selecionada orienta a leitura de Beleza, jardim e convite amoroso sem depender de etimologia isolada.
  2. O termo אֵ֤לֶךְ / yālak, atestado em 4:6, atua dentro de na poesia amorosa, com imagens de desejo, presença e ausência; a glosa controlada é: ir/andar; focaliza marcha, jornada ou conduta em sequência narrativa. A nuance morfológica registrada é HVqi1cs, dado útil para reconhecer sua função sintática.
  3. Na perícope, כַּלָּ֔ה / kallâ aparece em 4:8, 4:9, 4:10, 4:11, 4:12 e ajuda a nomear agente, ação, objeto ou relação; semanticamente, noiva; termo relacional da poesia nupcial e de intimidade celebrada. Essa observação é suficiente para o uso contextual do termo.
  4. תָּב֑וֹאִי / bôʾ ocorre em 4:8, 4:16 com peso lexical próprio para na poesia amorosa, com imagens de desejo, presença e ausência; neste range, entrar/vir; indica deslocamento real, aproximação ou chegada que muda a cena. A análise evita expandir o vocábulo para sentidos não demonstrados pelo bloco.
  5. A forma דֹדַ֖יִךְ / dôd é relevante em 4:10, 4:16 porque localiza um elemento concreto do argumento ou da cena; seu campo semântico imediato pode ser resumido assim: amado/amor; em Cânticos, designa o parceiro amado e o vínculo de desejo. O dado morfológico disponível é HNcmpc/Sp2fs.
  6. Quando o texto usa מַ֣יִם / mayim em 4:15, a palavra funciona como marcador de desenvolvimento interno; águas; recurso vital, obstáculo, limite cósmico ou sinal de livramento. A leitura deve observar sua relação com os verbos e participantes próximos.
  7. O vocábulo וְיֹאכַ֖ל / ʾākal aparece em 4:16 e não deve ser lido como ornamento; no contexto de na poesia amorosa, com imagens de desejo, presença e ausência, comer; pode indicar provisão, desejo, rito, hospitalidade ou transgressão. Sua contribuição é lexical antes de ser homilética.
  8. Para שֶׁכֻּלָּם֙ / lema 3605, os pontos de controle são 4:2, 4:4, 4:7, 4:10, 4:14; a palavra se insere em na poesia amorosa, com imagens de desejo, presença e ausência e carrega esta faixa de sentido: forma recorrente no trecho; sua função é mais segura quando lida pela posição sintática e pelas ocorrências próximas. A forma HTr/Ncmsc/Sp3mp delimita a análise ao material disponível.

5. Exegese verso-a-verso

Cânticos 4:1. Eis que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade. Nesta posição, Cânticos 4:1 abre ou reforça o cenário imediato em Beleza, jardim e convite amoroso. A exposição deve partir dessa contribuição local antes de formular síntese pastoral em observação vinculada a Cânticos 4:1.

Cânticos 4:2. Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas. Nesta posição, Cânticos 4:2 desloca a atenção para a palavra ou ação seguinte em Beleza, jardim e convite amoroso. Esse detalhe limita leituras que retiram a frase de seu contexto imediato em observação vinculada a Cânticos 4:2.

Cânticos 4:3. Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos. Nesta posição, Cânticos 4:3 torna explícita uma tensão que vinha se formando em Beleza, jardim e convite amoroso. A interpretação ganha força quando preserva a sequência textual em vez de saltar para aplicação em observação vinculada a Cânticos 4:3.

Cânticos 4:4. O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos. Nesta posição, Cânticos 4:4 introduz consequência concreta no desenvolvimento do bloco em Beleza, jardim e convite amoroso. Esse ponto precisa ser relacionado ao restante do range para evitar moralismo fragmentado em observação vinculada a Cânticos 4:4.

Cânticos 4:5. Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios. Nesta posição, Cânticos 4:5 liga memória, fala e resposta numa mesma progressão em Beleza, jardim e convite amoroso. A leitura responsável nota a função da linha sem transformá-la em tese independente em observação vinculada a Cânticos 4:5.

Cânticos 4:6. Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso. Nesta posição, Cânticos 4:6 mostra como a unidade trabalha agência humana diante de Deus em Beleza, jardim e convite amoroso. A progressão do bloco pede atenção ao que muda exatamente neste endereço em observação vinculada a Cânticos 4:6.

Cânticos 4:7. Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha. Nesta posição, Cânticos 4:7 prepara o leitor para a virada literária subsequente em Beleza, jardim e convite amoroso. Aqui o comentário deve permanecer próximo do texto, pois a cena ainda está em movimento em observação vinculada a Cânticos 4:7.

Cânticos 4:8. Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos. Nesta posição, Cânticos 4:8 acrescenta precisão ao conflito, promessa ou sinal em curso em Beleza, jardim e convite amoroso. A aplicação posterior deve respeitar essa mediação literária e teológica em observação vinculada a Cânticos 4:8.

Cânticos 4:9. Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um colar do teu pescoço. Nesta posição, Cânticos 4:9 ajuda a distinguir descrição, comando, reação e julgamento em Beleza, jardim e convite amoroso. A exposição deve partir dessa contribuição local antes de formular síntese pastoral em observação vinculada a Cânticos 4:9.

Cânticos 4:10. Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias! Nesta posição, Cânticos 4:10 impede que o bloco seja lido como ideia abstrata sem enredo em Beleza, jardim e convite amoroso. Esse detalhe limita leituras que retiram a frase de seu contexto imediato em observação vinculada a Cânticos 4:10.

Cânticos 4:11. Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano. Nesta posição, Cânticos 4:11 mantém o foco nos participantes e em sua responsabilidade em Beleza, jardim e convite amoroso. A interpretação ganha força quando preserva a sequência textual em vez de saltar para aplicação em observação vinculada a Cânticos 4:11.

Cânticos 4:12. Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada. Nesta posição, Cânticos 4:12 aproxima vocabulário teológico e situação concreta em Beleza, jardim e convite amoroso. Esse ponto precisa ser relacionado ao restante do range para evitar moralismo fragmentado em observação vinculada a Cânticos 4:12.

Cânticos 4:13. Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo. Nesta posição, Cânticos 4:13 contribui para o fechamento parcial da cena em Beleza, jardim e convite amoroso. A leitura responsável nota a função da linha sem transformá-la em tese independente em observação vinculada a Cânticos 4:13.

Cânticos 4:14. O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias. Nesta posição, Cânticos 4:14 amplia a percepção do leitor sobre fidelidade e perigo em Beleza, jardim e convite amoroso. A progressão do bloco pede atenção ao que muda exatamente neste endereço em observação vinculada a Cânticos 4:14.

Cânticos 4:15. És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano! Nesta posição, Cânticos 4:15 funciona como elo entre a cláusula anterior e o avanço posterior em Beleza, jardim e convite amoroso. Aqui o comentário deve permanecer próximo do texto, pois a cena ainda está em movimento em observação vinculada a Cânticos 4:15.

Cânticos 4:16. Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes! Nesta posição, Cânticos 4:16 mostra que a perícope progride por detalhe acumulado em Beleza, jardim e convite amoroso. A aplicação posterior deve respeitar essa mediação literária e teológica em observação vinculada a Cânticos 4:16.

6. Temas teológicos

A teologia de Beleza, jardim e convite amoroso deve ser lida no horizonte de criação, aliança, santidade, juízo, promessa e fidelidade de YHWH. Quando o bloco pertence à narrativa, a providência aparece em ações concretas e não em abstração; quando pertence à lei ou profecia, a obediência e o juízo têm forma comunitária. Em poesia sapiencial ou amorosa, a teologia não deve ser achatada em moralismo, pois imagens, desejo, temor e sabedoria têm função própria.

7. Perspectivas de especialistas

Tremper Longman III, Richard Hess e Duane Garrett são referências reais para consulta em Cânticos; o estudo não inventa posicionamento autoral específico.

Três linhas de leitura merecem atenção crítica: a leitura histórico-literária, que pergunta pelo funcionamento do bloco em seu livro; a leitura canônica, que observa desenvolvimento dentro da Escritura; e a leitura pastoral, que aplica sem apagar conflito, dor ou responsabilidade. Nenhuma dessas perspectivas deve substituir a exegese do texto original.

8. História da recepção

Na história de recepção, Beleza, jardim e convite amoroso tende a ser lido em culto, catequese, pregação e formação moral. Tradições judaicas e cristãs frequentemente preservam a força comunitária desses textos, embora com ênfases distintas. A recepção cristã deve evitar apropriação que apague Israel, e a leitura contemporânea deve resistir a usos devocionais que removem conflito, juízo ou corporeidade do texto.

9. Paradoxos e tensões

As tensões principais de Beleza, jardim e convite amoroso precisam permanecer visíveis: promessa e espera, graça e responsabilidade, presença divina e temor, consolo e juízo, vocação e fraqueza humana. Quando há questão textual, a tensão inclui o modo como a igreja recebeu o trecho e o modo como a crítica textual moderna avalia seus testemunhos. Resolver essas tensões por slogans enfraquece a perícope.

10. Interpretação sistemática

Em leitura reformada/evangélica, Beleza, jardim e convite amoroso deve ser integrado à doutrina de Deus, criação, pecado, aliança, providência, Cristo, Espírito, igreja e consumação conforme o lugar canônico do livro. A soberania divina não anula responsabilidade humana; a graça não torna irrelevante a obediência; o juízo não cancela promessa quando o próprio texto mantém esperança. A síntese sistemática deve servir à Escritura, não governá-la.

11. Aplicação pastoral

Brasil. Beleza, jardim e convite amoroso confronta religiosidade que conhece linguagem bíblica, mas pode evitar obediência concreta; corrige leitura individualista; exige memória, justiça, arrependimento e perseverança; promete que Deus governa sua história com fidelidade maior que nossas instabilidades.

África. Beleza, jardim e convite amoroso confronta abuso de poder religioso, medo social e uso mágico do sagrado; corrige aplicações que culpam vítimas por sofrimento; exige cuidado comunitário e coragem diante de opressão; promete que o Deus da aliança vê, julga e sustenta seu povo.

Ásia e diáspora ocidental. Beleza, jardim e convite amoroso confronta pressão por honra, eficiência e segurança sem Deus; corrige fé privatizada; exige testemunho paciente em contextos plurais; promete presença divina que não depende de maioria cultural ou prestígio público.

12. Perguntas para estudo e controvérsia

Compreensão.

  1. Onde a perícope começa e termina, e que sinais literários sustentam essa delimitação?
  2. Quem são os agentes principais e quais verbos conduzem a ação?
  3. Que vocabulário se repete ou organiza o bloco?
  4. Como o trecho se relaciona com o capítulo imediato?
  5. Que mudança ocorre entre o primeiro e o último versículo?

Interpretação.

  1. Qual é a afirmação teológica mais segura de Beleza, jardim e convite amoroso?
  2. Que leitura comum precisa ser corrigida pela sintaxe do texto?
  3. Como promessa e responsabilidade se relacionam nesta unidade?
  4. Quais conexões bíblicas são explícitas ou canonicamente controladas?
  5. O que o gênero literário permite afirmar e o que ele impede?

Controvérsia.

  1. Há variante textual ou lacuna de aparato que exige cautela editorial?
  2. Uma leitura cristológica é explícita, tipológica ou apenas temática?
  3. Como evitar moralismo sem perder exigência ética?
  4. Como aplicar o texto sem romantizar sofrimento nem culpar vítimas?
  5. Que ponto deve permanecer em aberto para revisão especializada?

13. Conclusão teológica

Afirma. Beleza, jardim e convite amoroso afirma que Deus age, fala, julga, sustenta ou consuma sua obra dentro da história revelada, não em abstração religiosa.

Exige. A perícope exige leitura obediente, arrependimento onde o texto denuncia pecado, fidelidade onde o texto chama à perseverança e humildade onde há limite textual ou histórico.

Promete. O bloco promete que a palavra de Deus permanece suficiente para formar fé, esperança e prática, mesmo quando a comunidade precisa esperar, discernir ou sofrer com sobriedade.

14. Referências

  • Open Scriptures Hebrew Bible/WLC/OSHB; Almeida Revista e Corrigida em português como testemunha pública de apoio; comentários acadêmicos e pastorais reais a conferir em revisão editorial.
  • Tremper Longman III, Richard Hess e Duane Garrett são referências reais para consulta em Cânticos; o estudo não inventa posicionamento autoral específico.
  • Em português, consultar Bíblia Shedd, Luiz Sayão e Augustus Nicodemus quando pertinentes ao livro e à tradição editorial do acervo, sem atribuir formulações específicas sem conferência.

Apêndice morfológico-sintático

Verbos e ações principais.

  • שֶׁגָּלְשׁ֖וּ: lema 1570; verbo hebraico com código OSHB HTr/Vqp3cp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • הַקְּצוּב֔וֹת: lema 7094; verbo hebraico com código OSHB HTd/Vqsfpa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • שֶׁעָל֖וּ: lema 5927; verbo hebraico com código OSHB HTr/Vqp3cp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • מַתְאִימ֔וֹת: lema 8382; verbo hebraico com código OSHB HVhrfpa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • בָּנ֖וּי: lema 1129; verbo hebraico com código OSHB HVqsmsa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • תָּל֣וּי: lema 8518; verbo hebraico com código OSHB HVqsmsa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • הָרוֹעִ֖ים: lema 7462; verbo hebraico com código OSHB HTd/Vqrmpa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • שֶׁיָּפ֨וּחַ֙: lema 6315; verbo hebraico com código OSHB HTr/Vqi3ms; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • וְנָ֖סוּ: lema 5127; verbo hebraico com código OSHB HC/Vqq3cp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • אֵ֤לֶךְ: lema 3212; verbo hebraico com código OSHB HVqi1cs; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • תָּב֑וֹאִי: lema 935; verbo hebraico com código OSHB HVqj2fs; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • תָּשׁ֣וּרִי: lema 7789; verbo hebraico com código OSHB HVqi2fs; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • לִבַּבְתִּ֖נִי: lema 3823; verbo hebraico com código OSHB HVpp2fs/Sp1cs; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • לִבַּבְתִּ֨ינִי֙: lema 3823; verbo hebraico com código OSHB HVpp2fs/Sp1cs; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • יָּפ֥וּ: lema 3302; verbo hebraico com código OSHB HVqp3cp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • טֹּ֤בוּ: lema 2895; verbo hebraico com código OSHB HVqp3cp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • תִּטֹּ֥פְנָה: lema 5197; verbo hebraico com código OSHB HVqi3fp; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.
  • נָע֖וּל: lema 5274; verbo hebraico com código OSHB HVqsmsa; binyan, aspecto e sufixos devem ser avaliados pela função na oração; registro 1 no apêndice deste range.

Partículas, preposições e conectivos.

  • הִנָּ֨ךְ: lema 2005; forma hebraica com código OSHB HTm/Sp2fs; registro 1 no apêndice deste range.
  • הִנָּ֣ךְ: lema 2005; forma hebraica com código OSHB HTm/Sp2fs; registro 1 no apêndice deste range.
  • מִבַּ֖עַד: lema 1157; preposição ou partícula relacional com código OSHB HR/R; registro 1 no apêndice deste range.
  • לְצַמָּתֵ֑ךְ: lema 6777; nome/substantivo com código OSHB HR/Ncfsc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • כְּעֵ֣דֶר: lema 5739; nome/substantivo com código OSHB HR/Ncmsc; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • הָֽעִזִּ֔ים: lema 5795; nome/substantivo com código OSHB HTd/Ncfpa; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • מֵהַ֥ר: lema 2022; nome/substantivo com código OSHB HR/Ncmsc; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • כְּעֵ֣דֶר: lema 5739; nome/substantivo com código OSHB HR/Ncmsc; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 2 no apêndice deste range.
  • מִן: lema 4480; preposição ou partícula relacional com código OSHB HR; registro 1 no apêndice deste range.
  • הָרַחְצָ֑ה: lema 7367; nome/substantivo com código OSHB HTd/Ncfsa; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שֶׁכֻּלָּם֙: lema 3605; nome/substantivo com código OSHB HTr/Ncmsc/Sp3mp; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • וְשַׁכֻּלָ֖ה: lema 7909; adjetivo ou qualificador com código OSHB HC/Aafsa; registro 1 no apêndice deste range.
  • אֵ֥ין: lema 369; forma hebraica com código OSHB HTn; registro 1 no apêndice deste range.
  • בָּהֶֽם: lema b; preposição ou partícula relacional com código OSHB HR/Sp3mp; registro 1 no apêndice deste range.

Nomes e participantes recorrentes.

  • רַעְיָתִי֙: lema 7474; nome/substantivo com código OSHB HNcfsc/Sp1cs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • עֵינַ֣יִךְ: lema 5869; nome/substantivo com código OSHB HNcbdc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • יוֹנִ֔ים: lema 3123; nome/substantivo com código OSHB HNcfpa; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שַׂעְרֵךְ֙: lema 8181; nome/substantivo com código OSHB HNcmsc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • גִּלְעָֽד: lema 1568; nome/substantivo com código OSHB HNp; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שִׁנַּ֨יִךְ֙: lema 8127; nome/substantivo com código OSHB HNcbdc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שִׂפְתֹתַ֔יִךְ: lema 8193; nome/substantivo com código OSHB HNcfpc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • רַקָּתֵ֔ךְ: lema 7541; nome/substantivo com código OSHB HNcfsc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • דָּוִיד֙: lema 1732; nome/substantivo com código OSHB HNp; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • צַוָּארֵ֔ךְ: lema 6677; nome/substantivo com código OSHB HNcmsc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • כֹּ֖ל: lema 3605; nome/substantivo com código OSHB HNcmsc; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שִׁלְטֵ֥י: lema 7982; nome/substantivo com código OSHB HNcmpc; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • שָׁדַ֛יִךְ: lema 7699; nome/substantivo com código OSHB HNcmdc/Sp2fs; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.
  • עֳפָרִ֖ים: lema 6082; nome/substantivo com código OSHB HNcmpa; gênero, número e estado moldam a relação sintática; registro 1 no apêndice deste range.

A seleção acima não pretende substituir uma gramática completa de todas as formas. Ela focaliza os elementos que sustentam progressão, agência, comando, contraste, promessa, acusação ou resposta dentro da perícope.

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